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Filmes que estão a ver ou recentemente vistos
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rui sousa



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PostPosted: Thu Jul 05, 2012 12:37 pm    Post subject: Reply with quote


Um filme simples com uma história simples, mas que vale a pena. Assim se resume, em poucas palavras, o que eu achei de «Gigante», um filme que parte de uma premissa humilde e com pouca substância, mas que acaba por ser uma boa experiência cinematográfica, neste que é o primeiro filme do realizador Adrián Biniez, e que recebeu inúmeros prémios, nomeadamente o Urso de Prata do Festival de Cinema de Berlim.
Nesta pequena fita, conhecemos Jara, um segurança de supermercado que se começa a apaixonar por Julia, uma empregada de limpezas desse estabelecimento. A partir daí, inicia uma espécie de obsessão por ela, seguindo-a por tudo quanto é sítio e tentando sempre saber mais coisas sobre ela.
Não sendo um filme inovador, inesquecível, fantástico ou marcante, «Gigante» é bom entretenimento, o suficiente para passarmos descansados oitenta e cinco minutos do nosso tempo livre sem ter que mexer muito com a cabeça. E, parecendo que não, muitas vezes precisamos de filmes assim. Filmes que nos façam parar um pouco, com histórias menos "cerebrais", mas mais humanas.


Nota: * * * *
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rui sousa



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PostPosted: Sat Jul 07, 2012 3:48 pm    Post subject: Reply with quote


«As Asas do Desejo», de Wim Wenders, faz parte da lista dos filmes de maior culto da década de 80, e que continuam a ser admirados hoje em dia, de uma forma cada vez mais intensa. Este filme trata-se de uma reflexão sobre a vida e a existência humana, através das deambulações de dois anjos pelas ruas de Berlim (nessa altura ainda dividida pelo Muro e pelas razões da Guerra Fria), que ouvem os pensamentos e preocupações de diversos habitantes da cidade, oriundas de todas as classes sociais, com várias ideologias e diferentes formas de viver a vida. E numa dessas deambulações, Damiel, um dos anjos (interpretado magistralmente pelo Grande Bruno Ganz), vai conhecer Marion, uma trapezista de circo pela qual se vai apaixonar, e por ela, vai ansiar ter uma vida humana.
«As Asas do Desejo» é um filme tocante e, por isso, muito marcante. Wim Wenders dirige a fita guiando-nos pelos mais diferentes caminhos dos seres humanos, mostrando-nos pessoas e vidas que não são capazes de nos deixar indiferentes. Não se trata de um filme fácil, mas, se for visto em boas condições, torna-se uma grande experiência de Cinema (sim, com C grande!). Destaco também a surpreendente interpretação de Peter Falk, que, ao fazer de si próprio (embora, claro, com alguma ficção lá pelo meio) encaixa perfeitamente em toda a história e Universo de «As Asas do Desejo». Um filme que me deixou quase sem palavras (apenas as suficientes para conseguir escrever esta pequena crítica), e que é, sem dúvida, uma obra-prima do Cinema Europeu a ver, rever, e re-rever!

Nota: * * * * *


Andy Kaufman é uma das figuras mais estranhas e interessantes da Comédia Americana dos anos 80. O seu estilo invulgar levou a que fosse muito criticado por uns, e aclamado (muitas vezes, até ao máximo exagero) pelos seus múltiplos seguidores. Kaufman mostrou como as pessoas poderiam ser manipuladas e como tudo do que acreditamos pode não passar de ficção.
Já tinha visto parte de «Homem na Lua», filme biográfico sobre Andy Kaufman, há uns largos anos. Fiquei com curiosidade acerca desta bizarra personagem, e desde então comecei a pesquisar muito sobre ela - muitos dos seus sketches e atuações estão espalhados pelos recantos do Youtube e afins - e agora tive a possibilidade de ver o filme na íntegra. E na minha opinião, Andy Kaufman não era um génio. Jim Carrey, que dá vida ao célebre entertainer, afirma, num making-off extra da edição DVD nacional do filme, que Kaufman é como que «o santo patrono dos comediantes». Mas mesmo assim, apesar de toda a influência de que Kaufman teve - e apesar de ter ficado a gostar mais dele depois de toda a pesquisa feita e de ter visto o filme todo - não consigo ver Kaufman como uma figura ímpar e genial da História do Humor. Tenho a perceção cada vez maior que este indivíduo tinha apenas uma visão muito sua do que era o entretenimento, facto que «Homem na Lua» evidencia muito bem e de uma maneira exemplar. Andy Kaufman era uma quase-espécie de Ed Wood da Comédia: podia não fazer assim coisas muito interessantes, mas bastou que os anos passassem para se tornar uma figura de culto. Mas a diferença é que Kaufman acabou, no final, por se enquadrar numa situação onde encaixa bem o provérbio «O feitiço virou-se contra o feiticeiro»: o facto de estar sempre a brincar com a realidade valeu-lhe que, a certa altura, as pessoas deixassem de acreditar na veracidade das coisas que ele dizia ou fazia, mesmo que fossem reais (veja-se a cena em que Kaufman tenta informar o agente, a namorada e o seu comparsa Bob Zmuda de que tem cancro, e as reações que eles têm ao ouvirem as suas palavras).
Milos Forman dirige de maneira impecável este «Homem na Lua», suportado por um argumento muito bem escrito e com um elenco de luxo (com Jim Carrey em estado de graça), fazendo com que este filme se tornasse um objeto de interesse por parte dos seguidores de Kaufman ou dos interessados nas lendas da Comédia Americana. «Homem na Lua» é um filme que vale muito a pena. E, tanto se goste ou não deste comediante, o filme é a prova viva de que o objetivo de Andy foi cumprido: a sua carreira não deixou (nem deixará) ninguém indiferente.

Nota: * * * * 1/2
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PostPosted: Sun Jul 08, 2012 3:02 pm    Post subject: Reply with quote




Prova certificada de que a continuação de um mau filme ainda consegue ser pior. Aliás, pensando um pouco, qual foi mesmo o filme baseado em monstros marinhos (exceptuando talvez O Tubarão) que alcançou alguma notoriedade?
Pois...

Com alguns momentos de humor discutível, para mim valeu por um David Hasselhoff no papel de si mesmo, com algum excesso de auto-crítica mas mesmo assim, hilariante.

Para ver gratuitamente, talvez.
Pagando, nem pensar. Há milhares de formas melhores de "esbanjar" meia-dúzia de euros.


Last edited by Anonymous on Tue Jul 10, 2012 7:28 pm; edited 1 time in total
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rui sousa



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PostPosted: Tue Jul 10, 2012 6:18 pm    Post subject: Reply with quote


«Loucura Americana», de Frank Capra, é mais uma lição de moral e de cinema ao estilo que o realizador habituou os seus espetadores ao longo dos anos. É um tesouro cinematográfico que ficou meio perdido no tempo e no esquecimento das pessoas e dos cinéfilos, mas que não deixa de ser um filme muito bom. Em «Loucura Americana», um filme que antecede clássicos como «Peço a Palavra» e «Do Céu Caiu Uma Estrela», Frank Capra decidiu abordar o mundo da economia e da banca, onde reside a verdadeira loucura do título da obra, contando a história do quotidiano de um banco americano que vê o seu sistema afetado após a ocorrência de um incidente grave. «Loucura Americana» dá-nos a entender que (e tal como nos dois clássicos posteriores que foram há pouco mencionados), os valores éticos e morais do ser humano têm uma importância muito maior que tudo o resto. Este filme, de curta duração (pouco mais de setenta minutos), carrega um significado do tamanho do mundo, e que é suportado por um argumento muito bem escrito e maravilhosamente interpretado por todo o elenco, que dá uma vida maior e, por isso, uma maior noção de realidade, a esta «Loucura Americana». Não consigo entender, sinceramente, como este filme passou despercebido à maioria dos “Caprianos”, já que também ele permanece atual (tal como todos os clássicos de culto do realizador, que passados tantos anos, ainda são muito vistos e apreciados) e, por isso, necessita de um visionamento urgente por parte de todos.
Apenas uma nota para a (péssima) sinopse do filme, escrita na contracapa da edição DVD, que contém vários elementos que, na realidade, não pertencem à história do mesmo (mas claro, só notei isso depois de ver o filme), o que faz que a simples leitura dessa sinopse dê uma ideia muito errada desta obra, não nos dando a entender logo como pode ser de uma qualidade tão grande.

Nota: * * * * 1/2



Para muitos, «Os Incorruptíveis Contra a Droga» é daqueles filmes que não deveriam ter sido nem sequer nomeados pela Academia de Hollywood. Mas o que é certo é que esta fita acabou por levar para casa o Oscar de Melhor Filme, embora competindo com gigantes de peso como «Laranja Mecânica» e «A Última Sessão». Nunca se deve julgar a qualidade de um filme pelos prémios que teve, mas talvez não foi muito justa esta vitória do filme de William Friedkin, mas também não lhe vou dar pancada, porque vi o filme hoje e gostei bastante! E também, se formos a ver, os outros dois filmes que eu assinalei não precisaram de Oscares para singrarem na memória do Cinema. Mas mudando de assunto, e falando sobre este filme: «Os Incorruptíveis Contra a Droga», título que muito se poderia assemelhar a um de um filme de ação de domingo à tarde, é uma extraordinária proeza cinematográfica, no que toca ao entretenimento que a Sétima Arte é capaz de proporcionar aos espetadores. William Friedkin dirige o filme, de uma maneira fulgurante, inovadora e repleta de ação, que lhe valeu também um Oscar, e que é uma das duas principais responsáveis por o filme ter sido aclamado pela crítica. A outra razão é a personagem Popeye Doyle, protagonizada pelo também Oscarizado Gene Hackman, um polícia que anda a investigar um esquema (muito bem montado, diga-se) de tráfico de droga, que envolve americanos e "franciús", num jogo de gato-e-rato que parece não ter fim, mas que evolui a um ritmo alucinante e muito bem construído. Vale muito a pena, este filme, porque enche os pedidos de quem pretende ver um grande filme de ação, despretensioso e muito realista, que me fez ficar agarrado ao ecrã até ao último segundo.

Nota: * * * * 1/2
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rui sousa



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PostPosted: Fri Jul 13, 2012 3:32 pm    Post subject: Reply with quote


Nanni Moretti regressou ao mundo do Cinema com um filme que aborda a vida secreta do Vaticano e todas as particularidades que rodeiam o Estado mais pequeno do mundo, através da história de um Cardeal que, eleito Papa, não se acha possuidor das qualidades suficientes que esse cargo exige. «Habemus Papam» é um filme que surpreende, por ter uma abordagem à vida do Vaticano e ao Catolicismo que não ofende, mas que pretende fazer rir qualquer um e fazer com que os espectadores pensem naquilo em que verdadeiramente acreditam e no que pretendem para as suas vidas. O elenco é brilhante, e toda a construção do filme mostra como Moretti tem vindo a adquirir cada vez mais qualidades na sua “mise-en-scène”, ao longo dos seus filmes.
Mas apesar do filme se mostrar bom ao longo da sua duração, ao terminar de o visionar, senti uma espécie de vazio. Não sei porquê, mas o final em si não correspondeu ao resto do filme. Teria de nos dar mais respostas e uma reflexão mais prolongada do problema em questão, mas apenas ficou pela solução mais fácil, e que nos deixa perplexos, sem saber porque é que Moretti decidiu terminar o filme assim, de uma maneira tão simples, quando poderia ter-nos dado muito mais e continuado com as suas paródias, e assim, dar-nos um filme um pouco mais memorável. O filme poderia ter sido feito de outra maneira, e que, talvez, assim este final corresponderia melhor à premissa do mesmo. Mas como não está, talvez «Habemus Papam» poderia ser um pouco mais curto…
Contudo, apesar deste pequeno aparte, o filme mostra ser uma boa obra cinematográfica, cujo visionamento passa num instante, e que promete, ao menos, satisfazer os espetadores com uma história simples, que se mostra leve, mas que está carregada de significado.

Nota: * * * *
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PostPosted: Fri Jul 20, 2012 1:32 pm    Post subject: Reply with quote



Al Pacino teve a sua segunda interpretação no meio cinematográfico com «Pânico em Needle Park», o filme que iria marcar um ponto de viragem na sua vida, num momento em que ainda estava a dar os primeiros passos na sua carreira e que dispunha de pouca fama junto do público, mas sempre carregado de um enorme talento, que iria interessar o realizador Francis Ford Coppola, que estava na altura a preparar o grande épico «O Padrinho».
«Pânico em Needle Park» é um retrato ultra-realista e cru da vivência de um casal de toxicodependentes em Needle Park, o nome pelo qual os viciados em heroína conhecem a rua onde costumam encontrar o fornecimento para o seu (destrutivo) vício. Sem qualquer floreado nem nenhuma "americanice" incluída, este filme mostra a atualidade que suporta nos nossos dias e como, afinal, nem todas as histórias têm o final que nós gostaríamos que tivessem. Al Pacino e Kitty Winn formam o casal de protagonistas, que vê a sua relação tornar-se cada vez mais problemática à medida que o vício da heroína aumenta, fazendo com que os dois arranjem toda e qualquer maneira para conseguirem mais uma dose para suportar a sua dependência.
À medida que a ação de «Pânico em Needle Park» se desenrola, ficamos cada vez mais integrados na história, e cada vez mais impressionados com a elevada carga realista do filme. O elenco tem interpretações brilhantes, com cenas que mostram o quotidiano destes "drogados" (e que causaram grande controvérsia na altura da estreia do filme) e todos os seus hábitos, que nos mostram o triste rumo que aquelas pessoas decidiram tomar para as suas vidas. Um filme que, apesar de ter mais de quarenta anos, se mostra uma grande peça cinematográfica, e este filme deve ser visto, e sobretudo por uma camada mais jovem, porque «Pânico em Needle Park» pareceu-me ser daqueles filmes que todo o adolescente deveria visionar, a ver se conseguiriam tirar lições para a vida a partir do mesmo.

Nota: * * * * 1/2
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PostPosted: Sun Jul 22, 2012 11:13 pm    Post subject: Reply with quote



Os anos 60 formaram uma década de viragem para Hollywood: a partir dali muitas mudanças teriam de ser feitas, e muitas inovações tomadas pelos estúdios, realizadores, etc, seriam observadas pelo público de uma maneira curiosa e atenta.
«Doze Indomáveis Patifes» aparenta seguir o modelo clássico do filme de guerra que os inovadores da época poderiam não apreciar. Mas, e contrariando as expetativas, torna-se num grande filme, de excelente entretenimento, eficaz e muito bem feito. O realizador do filme, Robert Aldrich, mostrou a Guerra de uma maneira verdadeiramente realista, sem pretender fazer propaganda ao exército ou glorificar o conflito (como muitos filmes da época tinham como objetivo). Destaco a apresentação ao filme, feita pelo recentemente falecido ator Ernest Borgnine, pertencente ao elenco do mesmo, e que refere esta visão do realizador como a causa deste não ter sido nomeado para o Oscar pelo seu trabalho.
«Doze Indomáveis Patifes» poderia não ter sobrevivido ao tempo se não fosse a conjugação de três "ingredientes": um estrondoso elenco, que interpreta muito bem as suas personagens (mas que, com especial atenção, tenho de valorizar mais as prestações de Lee Marvin e John Cassavetes, cujas personagens, confesso, foram para mim as mais marcantes e que me deixaram mais impressionado depois de ter acabado de ver o filme); uma realização à altura de Aldrich, que trouxe algumas inovações para a época, o que valeu a «Doze Indomáveis Patifes» Oscar para melhores efeitos sonoros; e por fim, a história que, apesar de seguir moldes já usados noutros filmes, consegue cativar e interessar por não ser previsível nem perder um pingo de credibilidade, e também porque os verdadeiros protagonistas não são duas ou três pessoas, mas sim um Major e Doze condenados que são escolhidos pelo Exército para serem encarregados de uma missão contra os Alemães Nazis, em plena Segunda Guerra Mundial.
Este é um filme de guerra que proporciona um tempo muito agradável e que irá, com certeza, fazer as delícias de qualquer apreciador de um bom filme, que felizmente, sobreviveu mais de quarenta anos para ser (merecidamente) visto e admirado.

Nota: * * * * 1/2
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PostPosted: Tue Jul 24, 2012 12:44 am    Post subject: Reply with quote



Não tenho dúvidas em afirmar que as melhores comédias feitas mais especificamente para o público adolescente foram apresentadas aos seres humanos na década de 80. E digo isto porque, basicamente, há muitos filmes do género desses anos que sobreviveram até hoje e que as novas gerações continuam a admirar de uma forma muito intensa. Casos como, por exemplo, a trilogia «Regresso ao Futuro» e este filme que vi ontem, «O Rei dos Gazeteiros» exemplificam muito bem esta teoria. Afinal, são comédias com mais de vinte anos, mas que continuam mais universais, cativantes e inesquecíveis que muitos filmes dirigidos aos mais jovens que são feitos hoje em dia (que, geralmente, costumam dar que falar durante uma semana e depois, segundo uma outra teoria minha um pouco mais patética, vão para uma espécie de caixote do lixo de material-que-mesmo-que-tenha-sido-lançado-ninguém-se-recorda-da-existência-do-mesmo-devido-ao-facto-de-se-tratarem-de-filmes-obsoletos-e-sem-razão-para-serem-vistos. Ui, e como este caixote deve estar a abarrotar...).
«O Rei dos Gazeteiros» é uma boa comédia sobre as crises da adolescência e da tomada de consciência dos mais jovens para a sua liberdade e autonomia em relação aos seus Pais. Mas o que gostei preferencialmente neste filme é que o tema da adolescência não é tratado como uma coisa idiota e "morangos-com-açucarada". Não trata os adolescentes como palermas estúpidos, mas sim como pessoas que até têm preocupações para com a sua vida futura (bem, pelo menos alguns). E neste filme são-nos mostrados três jovens que, apesar das suas brincadeiras típicas da idade, são personagens com que nos conseguimos, em parte, identificar. E penso que, numa comédia deste tipo, conseguir criar um universo tão bem definido e tão atrativo para as audiências, é muito difícil de conseguir. E ainda mais difícil é de persistir no tempo e continuar atual, mas felizmente, «O Rei dos Gazeteiros» consegue essa proeza. Foi-me difícil não rir nem achar familiar muitas das proezas que Ferris Bueller arranja para conseguir concretizar o seu dia de folga da vida escolar, e que, juntando-se à namorada e ao melhor amigo (sofredor de graves problemas existenciais, digamos), conseguem tornar aquele dia de "baldanço" do liceu como um ponto marcante para as suas vidas.
Penso que «O Rei dos Gazeteiros» falha mais significativamente num aspeto: o ritmo não é bem controlado, sendo muitas vezes parado e disfuncional com a própria ação do filme. Mas aparte disso, gostei de o ver, e penso que merece ser revisitado. Esta pode não ser uma obra-prima da História do Cinema, mas tem uma carga psicológica para uma pessoa da minha idade (e, penso, para as restantes faixas etárias) muito maior do que possa aparentar.

Nota: * * * *
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PostPosted: Fri Jul 27, 2012 12:21 pm    Post subject: Reply with quote



«Ed Wood» aborda alguns dos passos da carreira cinematográfica de um dos mais desconcertantes, extravagantes e bizarros realizadores que Hollywood deu a conhecer ao mundo (ou aliás, neste caso foi o mundo que o conheceu a ele. Não tivesse sido o «Plan 9 from Outer Space» eleito o pior filme de todos os tempos e talvez a fama de Ed Wood não fosse tão grande hoje em dia). Tim Burton realiza este biopic que não santifica nem crucifica Edward D. Wood Jr. e o seu trabalho, pretendendo apenas dar ao espetador uma visão o mais aproximada possível do que foi a vida deste indivíduo, no período de tempo que envolve a produção da sua primeira longa-metragem, «Glen or Glenda», até à feitura do seu filme mais conhecido, «Plan 9 from Outer Space». No papel de Ed Wood temos o grande Johnny Depp que, num dos mais notáveis desempenhos do seu currículo, consegue tornar-se no próprio homem que está a interpretar, dando muita credibilidade ao filme e ao seu papel.
A vida de Ed Wood mostra-nos que o Cinema não é apenas feito de heróis, mentes brilhantes que influenciam e mudam a forma de se ver e fazer cinema, mas que também é feito dos anti-heróis, pessoas que, tal como Wood, são apenas conhecidos hoje em dia por filmes de qualidade muito duvidosa, mas que em certa medida até são um exemplo para as pessoas: apesar das ideias estranhas e bizarras que tinha sempre para os seus projetos, Ed Wood quis sempre levar tudo para a frente e não desistir. E independentemente do quão bom pode ser algo que queiramos fazer, acho que, se deixarmos as coisas para trás, nunca poderemos saber se conseguiriamos conquistar algo ou não. É como diz o ditado: Quem não arrisca, não petisca. E na minha opinião, esse foi o grande objetivo de Tim Burton e Johnny Depp com este filme, uma autêntica homenagem ao rei do cinema trash que continua a gerar muitos e muitos fãs.
Mas com Ed Wood, podemos também aprender duas outras lições, não menos importantes: Como não fazer cinema, mas também, como fazer cinema em altura de crise. É claro que alguém que queira fazer um bom filme não pode usar muitos dos métodos de Wood, que se revelava muito descuidado na realização das suas películas, mas por outro lado, com pouco dinheiro, Wood recorria muito à sua (estranha) criatividade, dando asas à imaginação para criar as mais diversas situações para os seus filmes tentando não ultrapassar os baixos limites de orçamento que planeara para a execução dos seus trabalhos (ainda que, mesmo assim, não conseguia, por vezes, angariar dinheiro suficiente para pagar o que devia). E isso, numa altura de crise como esta, é fundamental.
«Ed Wood» é um filme muito bem realizado, escrito e interpretado (ao contrário dos filmes de Ed Wood) sobre um homem que, apesar de todas as contradições, queria apenas fazer-se vingar e mostrar o que valia no Mundo do Cinema, através das suas duas grandes inspirações: o realizador Orson Welles (cuja obra-prima, «Citizen Kane», torna-se motivo de grande influência para Wood) e o ator Bela Lugosi (que Wood decidirá resgatar para os seus filmes quando conhece o seu ídolo e percebe o grande estado de miséria e decadência em que este se encontra), interpretado por Martin Landau, num grande desempenho que lhe valeu o Oscar para melhor ator secundário. Este filme revelou-se ser uma grande maravilha que tardei a conhecer, mas que me deu uma perceção mais humana desse mito que é Ed Wood, um homem que deixou a sua marca no Cinema (embora não fosse a mais positiva), e que vivia para conseguir chegar ao topo como os seus dois heróis, que o inspiraram para a sua carreira cinematográfica.

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PostPosted: Tue Jul 31, 2012 11:29 am    Post subject: Reply with quote


Ao acabar de ver «O Barbeiro», dos irmãos Coen, apercebi-me que este se tornou num dos meus filmes preferidos da dupla de autores norte-americanos. Mas infelizmente, «O Barbeiro» não possui a popularidade de outros títulos dos Coen, como (por exemplo) «Fargo» e «Este País Não é para Velhos». Não considero justo este facto, porque este filme, apesar de ser um pouco diferente e com algumas características que não são idênticas aos outros dois filmes mencionados, achei que se trata de um excelente filme, de ótimo entretenimento e onde a arte "Coeniana" se eleva a proporções nunca antes imaginadas, com esta incursão dos irmãos no "film noir", numa homenagem a esse género cinematográfico e que, a meu ver, é de se lhe tirar o chapéu!
«O Barbeiro» torna-se num daqueles casos da Sétima Arte em que nos apercebemos que, se o filme não tivesse sido filmado a preto e branco (facto que assenta que nem uma luva ao filme) e feito por estes dois senhores, não seria mesmo nada igual ao que se tornou. Acho interessante como há ainda muitos realizadores que gostam de fazer filmes utilizando métodos mais antigos e que, a uma primeira vista mais descuidada, poderiam ser considerados obsoletos. Mas não são, de todo, e daí, o preto e branco em «O Barbeiro» e as características que os Coen foram buscar ao "film noir" para este seu filme assentam que nem uma luva! E «O Barbeiro» poderia ser uma história simples e desinteressante se estivesse nas mãos de muito realizador que por aí anda, mas os Coen fazem toda a diferença.
Considero cada vez mais, à medida que vou descobrindo mais filmes da sua autoria, que os Coen são uma dupla de autores geniais e fundamentais no cinema americano da atualidade, que se pautam pela diferença e por possuírem um estilo muito próprio e inigualável, do qual eu estou a ficar um grande apreciador.
O filme retrata a vida de Ed Crane (interpretado por Billy Bob Thornton), um barbeiro pouco simpático e com um grande ar de macambúzio, que se vê metido num sarilho derivado à infidelidade da mulher e também de um homem bizarro que pretende abrir um negócio de limpeza a seco (uma novidade para a época do filme, situado no ano de 1949). A história mostra-se ser mais complexa do que possa aparentar, e acaba também por ser uma reflexão sobre o significado da existência humana.
A excelente realização dos Coen (premiada no Festival de Cannes) e a brilhante prestação de Billy Bob Thornton, aliada a um argumento muito bem escrito fazem de «O Barbeiro» uma relíquia cinematográfica e que, quer se goste ou não dos filmes dos Coen, tem de ser descoberta.

Nota: * * * * *


Aqui temos mais uma pérola perdida da História do Cinema, mas que desta vez tem a assinatura de outro incontornável dessa arte: Martin Scorsese. «O Rei da Comédia» é o título do filme, que marca o fim do primeiro período de trabalho entre este Grande realizador e o ator Robert de Niro (uma parceria que só voltaria a suceder-se em 1990, com o filme «Tudo Bons Rapazes»). Este filme tem um valor muito significativo nos dias de hoje, em que a busca pela popularidade e pelos célebres "cinco minutos de fama" é tão obsessiva como nos anos 80, altura em que o filme foi feito (mas digo que, talvez, hoje em dia essa obsessão consegue superar a dessa década...).
«O Rei da Comédia» aborda, através da personagem Rupert Pupkin (interpretada de forma insuperável por Robert de Niro), a ilusão do Sonho Americano. Pupkin é um comediante amador que anseia conhecer e aparecer no programa televisivo "late night" do seu ídolo Jerry Langford (interpretado por Jerry Lewis). Mas a sua ambição e o orgulho que tem no seu próprio "talento" não o fazem perceber a realidade do panorama televisivo, o que faz com que caia na ilusão da facilidade televisiva. Pupkin não se apercebe que não é o seu ídolo que controla o seu próprio programa de TV, mas sim os senhores da cadeia de televisão e toda a equipa que o realiza, escreve e produz todas as noites, para chegar a todos os lares americanos. Pupkin pensa que o Mundo está a seus pés, e que conseguirá conhecer o seu ídolo e tornar-se numa grande estrela como ele. Contudo, ao longo do desenrolar do filme, Rupert consegue perceber que nunca conseguirá entrar no programa pela via normal das coisas, e então, decide utilizar métodos pouco ortodoxos para atingir os seus objetivos e conseguir singrar, finalmente, no "reinado" da comédia.
Este é um filme muito apropriado também para se enquadrar no recente "boom" de novos humoristas portugueses que têm vindo a surgir (e que, definitivamente não pára): apesar de haver grandes talentos, é pena que, muitas vezes, alguns, com grande talento, se deixem arrastar pela facilidade e, depois, não chegam a ser ninguém no mundo da comédia. E depois, por outro lado, temos outros que, sem um pingo de graça, ainda conseguem andar por aí a fazer coisas, e isto porque até trabalharam para alcançar o que queriam (ou que achavam que mereciam...).
Numa altura em que supostos "reis da comédia" crescem das árvores a uma velocidade cada vez mais vertiginosa, este filme torna-se uma boa peça para compreender a realidade do mundo do espetáculo, e também para exemplificar, mais uma vez, a grande versatilidade desse grande realizador que é Martin Scorsese, que aliado à interpretação de Robert de Niro e a um argumento muito bem escrito, faz a combinação perfeita para a criação deste filme, que se tornou um visionamento muito bom e que é, de certeza, um filme para ser visto.

Nota: * * * * 1/2
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PostPosted: Thu Aug 02, 2012 5:05 pm    Post subject: Reply with quote


«A Quadrilha Selvagem» mostra ser um filme de uma qualidade rara e de uma frescura incomparável. Passados mais de quarenta anos sobre a sua estreia, o filme ainda causa polémica na atualidade pela sua violência e a sua forma de mostrar o género Western. Sam Peckinpah realizou este filme e co-escreveu o argumento do mesmo, naquele que é, sem dúvida, o seu filme mais conhecido e admirado. E acho que, depois de ter visto «A Quadrilha Selvagem» e os documentários que fazem parte dos extras da edição DVD, apercebi-me que conheço mesmo pouco da obra deste realizador, tão subestimado pela maioria das pessoas e cuja carreira tem muito boa "fruta" para ser colhida.
Sam Peckinpah adorava o género Western, que foi o que usou na maioria dos seus filmes. Em certa medida, «A Quadrilha Selvagem» marca o fim (temporário) dos sucessos de crítica e bilheteira dos Westerns, mas por outro lado, foi com este filme que se deu início a uma nova perspetiva de ver o Cinema, com uma nova forma de se mostrar a violência, mais provocadora e chocante (e que se desenvolve cada vez mais) auxiliado com os melhores ingredientes que são necessários para se obter um Western excelente. «A Quadrilha Selvagem» retrata também o fim de uma era, a do Velho Oeste e de todas as suas particularidades, já que se situa cronologicamente no princípio do século XX, que marcaria uma grande viragem para os Estados Unidos da América.
«A Quadrilha Selvagem» segue as desventuras de um bando de criminosos (liderados por Pike Bishop, interpretado por um excecional William Holden) que pretendem fazer o seu último "trabalho" ao ajudarem um general mexicano a obter um carregamento de armas, assaltando o comboio de onde vieram as mesmas, ao mesmo tempo que há uma espécie de jogo do "gato-e-rato" em que Pike e a sua pandilha são perseguidos por Deke Thornton (interpretado por Robert Ryan) e uns quantos caçadores de prémios, que pretendem obter a sua recompensa com a captura desta "quadrilha selvagem".
Em «A Quadrilha Selvagem», o espetador não apoia os bons, mas sim os maus da fita. Torcemos para que a Quadrilha se safe dos sarilhos em que se metem, apesar de sabermos que aquele bando se trata de um grupo de homicidas, sedentos pela recompensa dos seus assaltos, sem olhar a meios para a conseguir obter. Mas ao longo do filme apercebemo-nos que, lá no fundo, nem são más pessoas e só são, apenas, os últimos "sobreviventes" dos últimos dias do "Far West".
Sam Peckinpah realiza este fantástico filme, inesquecível, bem composto e ritmado, e recheado com um elenco de atores de grande qualidade, naquele que é um dos Westerns mais marcantes da História do Cinema e que continuará a dar que falar por muito tempo.

Nota: * * * * *
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rui sousa



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PostPosted: Mon Aug 06, 2012 11:07 pm    Post subject: Reply with quote



Se não fosse este tal de Sergio Leone a dar uma "esparguetada" ao género Western, arrisco-me a afirmar que o mundo não seria o mesmo. É que os filmes do senhor Leone estão tão integrados na cultura popular e cinematográfica que se tornaram documentos muito significativos e comprovativos da passagem dos seres humanos pelo planeta Terra. OK, isto já é um exagero, mas há que fazer as respetivas vénias a Sergio Leone e à sua mente brilhante, criadora de clássicos cinematográficos intemporais como o épico «Era Uma Vez na América» (altamente recomendado, está claro) e este Western, que vi na noite de ontem, de nome «Aconteceu no Oeste». Este filme tornou-se, tal como o da «América», um dos melhores que já vi, e entrou logo para a lista dos meus filmes preferidos.
E o que resulta tão bem neste «Aconteceu no Oeste»? Acho que é, simplesmente, devido à mesma dupla de ingredientes com que foi cozinhada a sua obra prima «Era Uma Vez na América»: Antes de mais nada, é preciso um Leone para o filme ser como é. Os planos de câmara, as sequências de ação e de drama, a construção das personagens e da história, só seria possível ser feita da forma como é mostrada em «Aconteceu no Oeste» com um indivíduo, que é esse tal italiano Sergio Leone. Depois, quem diz Leone fala também em Morricone, o fantástico compositor de bandas sonoras cinematográficas, e cujas obras para os filmes "leonianos" dão uma chama ainda maior ao filme e o tornam mais intenso e inesquecível.
Adorei tudo o que havia para adorar em «Aconteceu no Oeste». E todo o filme, cada frame que constitui esta maravilhosa (deixemo-nos de conversas) obra-prima forma uma peça cinematográfica inesquecível e que se mantém inigualável a tudo o que se fez desde a sua estreia e de tudo o que se fará nos tempos futuros. Sergio Leone foi um génio da Sétima Arte, e das poucas pessoas que conseguia tornar cada momento do filme digno de ser memorável e entusiasmante, do mais relevante ao mais insignificante. E isso é um feito que um grupo muito restrito de realizadores consegue alcançar. Leone faz parte da cambada de autores que eram apaixonados pelo cinema de uma maneira tão forte (ou maior) que a que tinham pela vida. E «Aconteceu no Oeste» é um dos grandes triunfos de Leone. Um Western que não se fica por esse género e se torna uma lição de cinema para todos os gostos e críticas. Quem viu este filme e não sentiu diferença em si mesmo depois de acabar o seu visionamento, recomendo que o veja outra vez, "fachavor". Porque «Aconteceu no Oeste» não é (felizmente) um filme qualquer. É uma espetacular fita que deve continuar a ser objeto de culto e apreciação por parte dos seus seguidores, por muitas e muitas gerações.

Nota: * * * * *
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PostPosted: Sat Aug 11, 2012 3:52 pm    Post subject: Reply with quote



Sem grandes surpresas, um dos melhores - senão o melhor - filme que vi este ano.


Last edited by Anonymous on Wed Aug 15, 2012 7:56 pm; edited 2 times in total
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rui sousa



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PostPosted: Tue Aug 14, 2012 12:12 pm    Post subject: Reply with quote



Arrisco-me a dizer que nunca um filme me tinha deixado tão perturbado como «Donnie Darko», que vi na noite de segunda-feira passada. Este é um filme nada convencional, que me deixou completamente arrepiado com o que retirei do visionamento do mesmo. E aliás, acho que vou ter de o rever muito em breve, dado o número de questões que gostaria de tirar a limpo.
Mas porque é que «Donnie Darko» é um filme tão… tão… estranho, mas ao mesmo tempo tão bom? Na minha humilde opinião, Richard Kelly (realizador e autor do argumento do filme) acertou na “muche”. Ao construir uma história que gira em torno de um personagem com diversos distúrbios mentais e que cria uma sucessão de acontecimentos bizarros e surpreendentes, Kelly deu ao mundo uma obra cinematográfica incomparável e insuperável. Sinceramente, este é dos poucos filmes que me causou um arrepio na espinha – e não é um filme de terror, atenção! – e que me deixou completamente abananado, como que perdido neste vasto universo.
OK, esta comparação foi demasiado estúpida, mas depois de ver «Donnie Darko», a boca aberta continuou aberta por mais alguns minutos - outra coisa que só acontece com o visionamento de determinados filmes, e que me faz pôr este no topo, junto dos melhores de sempre. E se há fita que merece o desígnio de “filme de culto”, terá de ser, com certeza, «Donnie Darko».
Mas falando de outras coisas (embora seja um bocado difícil porque não consigo articular frases interessantes sobre o filme, o que me parece extremamente injusto devido à soberba qualidade do mesmo… mas enfim, é a minha cabecinha), devo destacar também a interpretação de Jake Gyllenhaal como o protagonista que dá título ao filme. Apesar de sempre ter achado que este ator tem um certo ar estranho que o levaria sempre a ser chamado para interpretar personagens com certos problemas nos miolos, é em «Donnie Darko» que todo o seu “charme” bizarro é elevado ao máximo (porque, obviamente, este é um filme sobre um miúdo completamente “chalado”. Talvez noutros filmes que não sejam sobre esse… tema…, o ar de Gyllenhaal não o favoreça… mas isso é outra história).
Sinto um grande vazio com a feitura desta crítica porque não consegui escrever nada do que eu queria (devido, em parte, ao facto que poderia estar a cometer um gravíssimo ato de “spoileirização” com as minhas palavras), mas só sei mesmo terminar este texto recomendando vivamente este filme. Não é nada do que algum de vós poderá ter visto antes, nem é nada do que algum de vós poderá ver depois… espero eu! «Donnie Darko» já deixou uma marca bem presente no cinema contemporâneo, e de todos os filmes que a malta da minha geração adora (alguns de uma maneira muito excessiva, diga-se), este é dos poucos que me parece ser merecedor de toda a adoração de que é “vítima”. E eu passei a ser mais um dos fãs de «Donnie Darko»!

Nota: * * * * *
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Anonymous
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PostPosted: Tue Aug 14, 2012 1:25 pm    Post subject: Reply with quote

Há um filme que te aconselho vivamente Rui, caso ainda não o tenhas visionado ainda (o que até duvido, pois enquadra-se perfeitamente no teu género)

Very Happy
O meu pé esquerdo. http://www.imdb.com/title/tt0097937/
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rui sousa



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PostPosted: Tue Aug 14, 2012 2:02 pm    Post subject: Reply with quote

Obrigado pela sugestão Luisinho! Fui ver o link do IMDB e já tinha o filme para ver na "watchlist". Já nem me recordava, mas agora ao relembrar-me, parece-me que vai ser dos próximos filmes que vou ver Very Happy
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Paulex



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PostPosted: Wed Aug 15, 2012 6:47 pm    Post subject: Reply with quote

Vi o As Flores da Guerra, de Zhang Yimou (2011)

Uma história de amor e guerra - e de um bando de párias que emergem como heróis improváveis das sombras da ocupação de uma cidade. O filme entra no mundo apocalíptico de Nanjing em 1937, para contar uma vibrante história humana sobre as pessoas invisíveis desta cidade e de uma série de inesperadas relações, que acabam por conduzir a um extremo ato de sacrifício.



Absolutamente fantástico!
Fui ver porque sou fã do Christian Bale, e porque o trailer me tinha chamado a atenção. Já sabia para o que ia (aliás o desenlace é algo previsível), mas não pensei que tivesse cenas tão violentas. Mas também não passou pela cabeça que tivesse cenas tão belas, que tivesse detalhes tão comoventes. Um verdadeiro épico, visualmente tão belo quanto chocante, uma história para nos trazer a lágrima ao canto do olho, pois diante de nós desfilam imagens do melhor e do pior que o ser humano é capaz em tempos difíceis.
Adorei as interpretações, a realização, a caracterização, tudo! E, apesar da violência e do tom dramático, não saímos do filme deprimidas nem tristes. Há algo de "fazer o que é mais correcto" naquele desenlace que nos convenceu.

Infelizmente, dada a origem oriental da produção, e talvez por o filme ser em parte falado em Chinês, não teve cá grande adesão. Mas isso também se explica por dois motivos: por um lado, só chegou às nossas salas em Agosto de 2012 . Por outro lado, foi ignorado pela maioria das salas de cinema.
Aqui no Norte só o encontrei no Dolce Vita Porto e no Arrábida. Claro que o filme com o mesmo ator que estreou no mesmo dia -o Batman - teve não só direito a ser exibido em todo o lado, como teve direito a 2 e até 3 salas por cinema (shopping). Não tenho nada contra o Batman (pelo contrário, vai ser o próximo que vou ver), e percebo a lógica de marketing e tudo o mais, mas acho que este As Flores da Guerra não merecia ser ignorado desta maneira.

PS - O Donnie Darko sempre foi um dos meus eternos filmes "a ver". Agora com essa opinião, fiquei ainda com mais vontade de o fazer - fizeste-o subir uns lugares na lista de prioridades, Rui! Smile
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Anonymous
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PostPosted: Wed Aug 15, 2012 7:59 pm    Post subject: Reply with quote

De Donnie Darko, ficou-me um dos temas da banda sonora que ouvi vezes sem conta numa fase menos boa da minha vida. Mas um excelente filme sem dúvida.

http://www.youtube.com/watch?v=DR91Rj1ZN1M
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rui sousa



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PostPosted: Wed Aug 15, 2012 11:05 pm    Post subject: Reply with quote

Paulex, vale muito a pena ver o filme! Very Happy E a banda sonora é mesmo fantástica, não me sai da cabeça!

O Segredo dos Seus Olhos
Não sei como posso descrever as sensações que me deu o visionamento de «O Segredo dos Seus Olhos», um filme de Juan José Campanella que arrecadou um Óscar da Academia para melhor filme estrangeiro. Aliás, deve-se notar muito a minha enorme incapacidade para descrever o que quer que seja. Mas acho que posso falar um pouco (e não muito em pormenor, porque, quando faço estas críticas, esqueço-me sempre de diversas ideias que tinha planeado antes da escrita das mesmas) do que achei do filme, que embora seja de uma maneira muito redutora, espero que consiga dar a entender o porquê de ter gostado tanto desta fita.
A história de «O Segredo dos Seus Olhos» é construída de uma forma intrincada e complexa, e que vai buscar alguns tradicionalismos do policial e dos grandes thrillers cinematográficos. Contudo, as influências que Campanella e a sua companhia seguiram para fazerem este filme não são suficientes para danificar a grande originalidade do mesmo (ao contrário do que acontece com muitos casos em que se sucede o oposto – o cliché inunda o filme, não dando sequer a entender o que é novo naquele filme do que já foi usado e abusado), fator que é bastante auxiliado pelo grande elenco que encarna as personagens de «O Segredo dos Seus Olhos» (com o protagonista Ricardo Darín, um ator de que eu já tinha ficado fã com o filme «O Filho da Noiva», também realizado por Campanella).
Misturando um caso romântico com um crime e sua investigação em duas épocas distintas (anos 70 e finais dos anos 90), «O Segredo dos Seus Olhos» é um filme que me prendeu ao ecrã do início ao fim. Não por ser um drama num estilo diferente do que o cinema americano costuma (re)utilizar, nem tão pouco por ser um policial que, nas mãos erradas, poderia cair no maior extremo da banalidade (aliás, é o que poderá acontecer se o estúdio americano que pretende fazer um remake desta obra cinematográfica argentina não o fizer de uma forma que não estrague o significado do filme original). Gostei bastante deste filme porque, simplesmente, é um grande filme, que apesar de não “emanar” o perfume de obra-prima mirabolante e magistral da História de todo o Cinema, é uma obra que está excelente em todos os aspetos! E o Óscar com certeza que foi merecido. Porque «O Segredo dos Seus Olhos» é um filme tocante, viciante, bonito e uma grande obra cinematográfica. Pode não ser o símbolo da perfeição da Sétima Arte, mas caramba! É um filme cujo investimento na visualização dos seus 120 minutos será completamente recompensador. E mais do que isto, penso que não é necessário afirmar, porque lá dizem que as imagens (neste caso, as que estão em movimento – sei que o dito popular não diz exatamente isto, mas penso que o significado seja igual nos dois casos) valem mais que mil palavras…

Nota: * * * * *
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rui sousa



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PostPosted: Sat Aug 18, 2012 9:27 pm    Post subject: Reply with quote



A década de 40 foi uma década "dourada" para a comédia cinematográfica norte-americana sofisticada. Um género de filme que, ao contrário de muitas fitas que por hoje circulam e que se assumem como comédia (mas que, se formos a ver bem, olhar para uma parede durante horas a fio poderá causar-nos muito mais gargalhadas do que a visualização de escassos minutos desses filmes), mostrava-se singular pelas histórias apresentadas, pelas personagens e pelos atores que as interpretavam. Foi uma época de glória para a farsa (a comédia de enganos), para a sátira social e para a crítica de costumes dos seres humanos, sem qualquer tipo de distinção.
«Casamento Escandaloso», um filme realizado por George Cukor e que conta com as interpretações de Katharine Hepburn, Cary Grant e James Stewart, é um dos grandes exemplos do melhor que se fez em termos cinematográficos nos EUA durante esse período de sucesso para o país, e é tido como uma das melhores comédias de sempre. E não é para menos: «Casamento Escandaloso» tem tudo para bater certo e funcionar para qualquer tipo de espetador e para todos os gostos cinéfilos. A história não é muito elaborada, mas é impossível não conseguir ver o filme até ao fim. Apesar de ter tido logo uma larga suspeita de como toda aquela encrenca iria acabar, o que é facto é que não consegui desligar o televisor nem parar de ver o filme. E penso que é desta matéria que são feitos os grandes filmes, que não valem apenas pelo final ou por uma ou outra cena estrondosamente popular (uma popularidade que, muitas vezes, é levada à exaustão) e que obriga a visualização do seu filme só para sentirmos aquele dejá-vu na parte em que ouvimos a personagem a dizer a frase que todos sabemos de cor. «Casamento Escandaloso» vale pelo seu todo, pelo conjunto de ingredientes que foram precisos juntar para a sua feitura: uma peça de teatro que resulta tão bem no grande ecrã como no palco, um grande elenco de atores soberbos (cujas interpretações, perdoem-me o saudosismo, já não se "fazem" hoje em dia...), um realizador que está à altura do argumento do filme e a fórmula do melhor entretenimento que a América tem proporcionado a várias gerações de espetadores.
Mas o que mais gostei em «Casamento Escandaloso» foi mesmo o seu argumento, e que tem de ser merecidamente destacado (embora, volte a repetir, todos os outros "componentes" do filme funcionam perfeitamente). Aqueles diálogos, repletos de ironia e piadas inteligentes que soam tão bem hoje como soavam há mais de setenta anos, quando o filme estreou (e que são a principal causa, na minha opinião, da grande graça deste filme) têm de ser atentamente escutados (e lidos nas legendas, se necessário). É um argumento que está muito bem escrito e que mostra a complexidade linguística das personagens do filme, que nunca deixam de ser, ao longo de toda a duração do mesmo, portentoras de grandes doses de credibilidade e de humanidade.
Por fim, deixo um apelo: seria bom que as pessoas voltassem a ver estes clássicos (que têm passado, ultimamente, com mais regularidade nas televisões, algo que é de louvar) e não os deixassem cair no esquecimento. «Casamento Escandaloso» nem tem razões de queixa porque é até um filme que tem sido muito acarinhado pelo público nos últimos anos, mas mesmo assim, se puderem, vejam clássicos deste calibre. Recordam uma época diferente da nossa, mas que, contudo, não deixa de ter grandes parecenças com a atualidade...

Nota: * * * * 1/2
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almachev



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PostPosted: Sat Aug 18, 2012 10:56 pm    Post subject: Reply with quote

Hoje revi esta perola
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rui sousa



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PostPosted: Mon Aug 20, 2012 12:18 pm    Post subject: Reply with quote


«O Terceiro Homem» é um dos maiores clássicos de sempre da História do Cinema, e um dos expoentes máximos do “film-noir”. É um filme excecional, e que só pude ver pela primeira vez ontem à noite. Fiquei imediatamente fã do filme, de toda a sua atmosfera, das suas personagens e da sua história. Aliás, eu já conhecia a história porque antes tinha lido o pequeno romance de Graham Greene que serviu de base à criação do filme. Mas se me guiasse apenas pelo livrinho, poderia pensar que o filme é completamente dispensável e uma perda de tempo (apesar de até ter gostado de o ler, fiquei um bocado de pé atrás porque não me pareceu ser nada de especial). Contudo, depois de ver o filme, mudei completamente de ideias. Além de várias cenas e pormenores da história terem sido acrescentados à versão original planeada por Greene no papel, a pobreza do texto é esquecida devido à grande força do elenco e da arte que este filme proporciona. Ler apenas o livro não nos consegue fazer perceber, à partida, como o filme pode ser tão bom, e mesmo melhor que o romance (um caso parecido com o que sucede com «Psycho» de Alfred Hitchcock).
O início do filme não é, de todo, banal. Aliás, é o género de abertura de um filme que deve ter sido muito bem pensada para agarrar o espetador e fazê-lo continuar a ver o que se irá desenrolar posteriormente. No início do filme ouvimos uma voz-off (que, segundo a Wikipédia, é a do próprio realizador do filme, Carol Reed) que nos quer fazer parecer familiar (fala num tom como que nos conhecesse há muito tempo e nos estivesse a contar uma história, qual avôzinho sentado no sofá rodeado pelos netos) e que nos explica um pouco do ambiente e das circunstâncias em que decorre a história do filme. E bem, estamos numa época pouco posterior ao final da II Guerra Mundial, na cidade de Viena que está dividida em quatro partes para os quatro países que, fundamentalmente, fizeram parte desse conflito: Inglaterra, EUA, Rússia e Alemanha.
Joseph Cotten (um ator pouco reconhecido e injustamente esquecido do público, que aqui tem uma grande interpretação) é Holly Martins, um escritor de romances baratos que vai até Viena para se encontrar com o seu grande amigo Harry Lime, que lhe ofereceu um trabalho na cidade. Mas logo após a sua chegada à casa de Lime, Holly recebe a notícia do falecimento do mesmo, vítima de um acidente automóvel. Mais tarde, Holly conhece Anna, a namorada de Lime, e as duas pessoas que estiveram com ele quando morreu: o Barão Kurtz e Popescu. À medida que o filme se vai desenrolando, e à medida que Martins aborda as pessoas que conheciam Lime, apercebe-se que a morte do seu amigo de infância poderá não ter sido acidental…
«O Terceiro Homem» é um filme que está muito bem realizado, que recorreu à utilização de planos e ângulos de câmara diferentes e sem dúvida inovadores para a época (e cuja inovação persiste nos nossos dias). A atenção ao pormenor e a filmagem de certos elementos peculiares chamou-me a atenção.
Gostaria também de salientar a excelente banda sonora do filme, composta por Anton Zaras e tocada com apenas um único instrumento, o “Zither”. É impossível não ficarmos com a música de abertura do filme (que se repete diversas vezes ao longo do mesmo) na nossa cabeça durante horas. É uma grande banda sonora, muito simples, mas muito eficaz, e que é uma das mais reconhecíveis e lendárias de todas as bandas sonoras de todos os filmes do planeta.
Cada vez mais gosto de “film-noir”. É que os filmes deste género são mesmo daqueles filmes que são impossíveis de serem vistos a cores. Se fosse feita uma nova versão de «O Terceiro Homem» sem este tom acinzentado, acho que, com certeza, o filme não teria a mesma tensão, a mesma profundidade e a mesma originalidade que carrega. É como os Simpsons. Poderiam não ser amarelos? Sim, mas não era a mesma coisa. Homer Simpson igual a nós? Côa breca! Este é um filme completamente… perfeito, e merece todos os aplausos que forem possíveis receber. Influenciou e continua a influenciar muitas gerações, e é obrigatório todos verem!

Nota: * * * * *
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